domingo, 2 de maio de 2010

O Perdedor riu por último (Bussunda)


Cláudio Besserman Vianna havia acabado de ingressar no curso de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e já matava aulas para ganhar uns trocados. De óculos escuros, o rapaz de 19 anos embarcava em lotações e pedia esmolas fingindo-se de cego – e de deficiente mental. Sua aparência contribuía para que os passageiros caíssem na farsa: barriga volumosa, cabelos desgrenhados e uma cara redonda na qual se destacavam os dentes saltados. O aspecto de quem não via um chuveiro fazia tempo dava a pincelada final no quadro. O golpista era Bussunda – comediante que, na condição de integrante de maior popularidade da turma do Casseta & Planeta, se tornaria a figura mais marcante do humor brasileiro entre o fim dos anos 80 e 2006, quando morreu de infarto durante a cobertura da Copa do Mundo da Alemanha, aos 43 anos. O episódio é uma síntese do personagem. Como se constata na recém-lançada biografia Bussunda – A Vida do Casseta (Objetiva; 408 páginas; 49,90 reais), o tipo anárquico da TV era uma extensão de sua contraparte de carne e osso: alguém cujo simples ato de existir já provocava riso. Por causa desse mesmo jeito de ser, ele chegou a ser tido pela família como um caso perdido. Foi, portanto, um perdedor que riu por último.
Nas frequentes e inflamadas discussões entre os cassetas, Bussunda era o promotor do consenso. Com a, digamos, institucionalização do grupo, o limite do escracho tornou-se um tema delicado. A trupe foi obrigada a engolir vetos da Globo. A pedido da cantora Sandy, não se permitiu que sua atuação na novela Estrela-Guia (2001) fosse satirizada. Se a atriz Vera Fischer adorou sua versão mocreia, incorporada por Bussunda numa gozação de Laços de Família (2000), Ronaldo Fenômeno a princípio ficou magoado em virar Ronaldo Fofômeno. Bussunda tinha lá seus instantes de autocensura. Eleitor de Lula, ele se decepcionou ao visitar o presidente, em 2003. Não gostou de ver Lula cercado de bajuladores e falando de si próprio num tom senhorial. Ainda assim, no ano seguinte (só abandonaria o lulismo de vez em 2005, com o escândalo do mensalão), Bussunda sustentou que o programa não deveria repercutir a polêmica sobre os hábitos etílicos do presidente. Foi voto vencido. Seu Luiz "Inércio" Lula da Silva será lembrado como uma sátira sem retoques do político. Bussunda ganhou a vida brincando, mas não brincava em serviço.
Sem sobra de duvida foi e sera um dos melhores humoristas do Brasil sua falta ate hj nao foi e nunca sera preenchida na Rede Globo fica a saudade e as lembranças desse simples homem careca e barrigudo que tinha a dificil missao de fazerem os outros rirem. (sedido gentilmente pela Veja.com)

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